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Espírito Santo tem apenas 26 urologistas na rede pública

Número reduzido de profissionais no Sistema Único de Saúde dificulta acesso a consultas e exames de prevenção do câncer de próstata

08/11/2021 11h35
Por: Redação O Diário Fonte: Ales
O número de exames e procedimentos cirúrgicos já indica uma retomada aos níveis pré-pandemia.
O número de exames e procedimentos cirúrgicos já indica uma retomada aos níveis pré-pandemia.

De acordo com o levantamento Demografia Médica no Brasil 2020, da Universidade de São Paulo (USP) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), o Espírito Santo conta com 129 urologistas. Entretanto, apenas 26 deles atendem no Sistema Único de Saúde (SUS), conforme aponta a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Ainda segundo a pesquisa, o estado tem uma média de 3,39 especialistas para cada 100 mil habitantes.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) informa que não há consenso sobre o número ideal de urologistas por habitantes. Também há carência de publicações recentes sobre o tema. O estudo mais atual - Os Urologistas no Brasil: uma Análise do Perfil Socioprofissional, da Distribuição Populacional e da Necessidade de Formação de Novos Especialistas - é de 2001 e indica um ideal de 30 a 40 profissionais a cada 100 mil habitantes. Conforme a última estimativa populacional do IBGE, o Espírito Santo possui 4.108.508 habitantes. Assim, segundo o estudo nacional, seriam necessários pelo menos 1.232 urologistas no estado.

A falta de profissionais gera dificuldade em conseguir consultas. Segundo o urologista e presidente da Associação de Urologistas do Espírito Santo (Aues), Alexandre Tironi, o machismo apontado como fator determinante de resistência ao exame de toque retal, fundamental para a detecção do câncer de próstata, não é mais o principal empecilho ao diagnóstico precoce. “Noto que o preconceito a esse exame está diminuindo. O problema maior hoje é o gargalo no Sistema Único de Saúde (SUS). Há dificuldade de acesso a urologistas. Os homens tendem a ser menos obstinados quanto aos cuidados com a saúde, diferente das mulheres. Se eles tentam uma consulta e não conseguem, acabam desistindo”, observa Tironi.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), tumores na próstata são o segundo tipo mais comum em homens, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. O instituto estima 65.840 novos casos da doença para cada ano do triênio 2020/2022. Diagnosticado precocemente, há 90% de chance de cura.

PSA não substitui exame de toque

Inicialmente assintomático, o câncer que se manifesta na glândula do sistema reprodutor masculino é diagnosticado por três exames: Antígeno Prostático Específico, o PSA (exame de sangue); exame de toque retal; e biópsia.

Alguns homens não fazem exame de toque por acreditarem que apenas o PSA é suficiente para detectar a doença. “O PSA alterado levanta suspeitas. Entretanto, alguns tumores mais agressivos tendem a não alterar o PSA no começo. Por isso, o exame de sangue não substitui o exame de toque”, alerta Tironi.

O câncer de próstata costuma dar sinais apenas quando está mais avançado. Micção frequente (especialmente noturna) e dor ao urinar são sintomas comuns.

Prevenção e tratamento

Os exames de rastreio devem ser iniciados a partir dos 50 anos. Entretanto, Alexandre Tironi explica que há casos em que devem ser feitos mais cedo. “Negros (que têm tendência a apresentarem tumores mais agressivos) e pessoas com casos de câncer de próstata na família, devem começar o rastreamento a partir dos 45 anos”, destaca.

Há fatores de risco além da cor da pele e casos da doença na família aos quais os homens devem ficar atentos.

“Os vilões atuais são o sedentarismo e a má alimentação. Há um estudo americano que mostra uma grande quantidade de casos nos Estados Unidos e um pequeno número de casos no Japão. Quando analisados os imigrantes japoneses nos Estados Unidos percebe-se que a incidência de câncer de próstata atinge o mesmo nível dos americanos. O estilo de vida tem muito peso”, observa Tironi.

Os tratamentos contra tumores consistem em quimioterapia, radioterapia e prostectomia (cirurgia de retirada da próstata).
 
Alexandre Tironi esclarece que nem todo câncer de próstata demanda tratamento. “O tratamento pode gerar efeitos colaterais como incontinência urinária e disfunção erétil. Como o câncer de próstata, na maioria das vezes, é de crescimento lento, é feito apenas um acompanhamento. O câncer não é tratado quando os efeitos do tratamento podem gerar mais desconforto do que o câncer em si. Nos casos de tumores de crescimento muito lento, o homem morre com câncer, mas não em decorrência do câncer”.

Retomada de exames e cirugias

Em decorrência do enfrentamento da emergência de saúde pública da Covid-19, as consultas e exames eletivos foram suspensos no Estado, conforme definido pelas Portarias 004-R e 052-R, e começaram a ser retomados gradualmente em maio deste ano.
 
O número de exames e procedimentos cirúrgicos já indica uma retomada aos níveis pré-pandemia.

Tratamento

No Espírito Santo, o Hospital Santa Rita de Cássia (HSRC-Afecc) é o único estabelecimento de saúde habilitado como Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon).

Outros seis estabelecimentos de saúde são habilitados como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) para o tratamento de câncer de próstata:
 

  • Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (Heci) – instituição filantrópica, conveniada ao SUS;
  • Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam) – instituição pública federal, vinculada à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes);
  • Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória (HSCMV) – instituição filantrópica, conveniada ao SUS, vinculada a instituição de ensino (Emescam);
  • Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV) – instituição filantrópica, conveniada ao SUS, vinculada a instituição de ensino (Univix);
  • Hospital Maternidade São José (HMSJ) – instituição filantrópica, vinculada ao SUS;
  • Hospital Rio Doce – instituição filantrópica, vinculada ao SUS.


Novembro Azul

A campanha de conscientização sobre o câncer de próstata, o Novembro Azul, surgiu em 2003, na Austrália, com um grupo de amigos que decidiram deixar o bigode crescer a fim de chamar atenção para a saúde masculina. Esse mês foi escolhido porque é o mesmo em que se comemora o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, celebrado em 17 de novembro.

A Assembleia Legislativa participa da campanha todos os anos, tanto com ações internas de conscientização, quanto com a iluminação do prédio em azul.

Conscientização também é foco de leis de iniciativa parlamentar. Em 2020, a Casa aprovou a Lei Ordinária 11.211 que institui, no âmbito do estado do Espírito Santo, as campanhas para a prevenção do câncer de mama, de colo do útero e de próstata. A iniciativa foi do deputado Dr. Rafael Favatto (Patri).

Já o deputado Marcelo Santos (Podemos) é autor de duas leis que tratam do assunto: a que institui a Política Estadual de Controle do Câncer de Próstata no Estado do Espírito Santo; e a que considera novembro o mês de combate ao câncer de próstata. A data consta na Lei 11.212/2020, que consolida toda a legislação em vigor referente às semanas e aos dias/correlatos estaduais comemorativos de relevantes datas e de assuntos de interesse público.

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